De “Sem título”, de Li Shangyin: “Mesmo que eu siga o caminho reto do amor, isso não traz benefício algum; ainda assim, não há mal em guardar a melancolia, pois ela é uma loucura serena.” “Loucura serena” aqui não significa “leviandade”, mas sim um amor obsessivo e devotado. Li Xiang, por um acaso inexplicável, atravessa o tempo e reencarna no corpo de uma menina mendiga de 16 anos na antiguidade. Lá, conhece Su Mo, o guarda querido e influente da Mansão do Príncipe de Yan. Depois, torna-se acompanhante de Zhou Mingxuan, o herdeiro da mansão. Os três vivem juntos muitas risadas e momentos de alegria durante a jornada de estudos fora de casa. Mais tarde, porém, a vida muda de forma imprevisível: a grande árvore que sustentava a Mansão do Príncipe de Yan cai, e os três passam a se apoiar e aquecer uns aos outros em meio ao caos da guerra. A relação entre os três também começa a se tornar sutilmente mais delicada...
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Ao acordar, Li Xiang percebeu que havia atravessado para outro mundo. Claro, isso não era o mais importante. O que realmente importava era que estava agora no corpo de uma mendiga. Mas nem isso era o principal: suas mãos estavam sangrando, e de ambas escorria sangue em profusão.
Sem se importar com o odor repugnante que vinha de si mesma, com as mãos sujas e encardidas, pressionou uma contra a outra, na esperança de estancar um pouco a hemorragia.
Aguentando a dor latejante nas mãos, empurrou com o pé a faca ensanguentada que estava ao lado e se levantou depressa, dirigindo-se para onde houvesse mais pessoas, na esperança de que alguma alma bondosa lhe acudisse.
O sangue escorria pelo pulso, e Li Xiang, já tonta, não se importou mais com o próprio orgulho. Agarrando a manga de um transeunte qualquer, implorou: “Ajude-me, por favor, ajude-me...”
— De onde saiu essa mendiga? — disse o homem, vendo suas roupas esfarrapadas e sujas. Empurrou-a ao chão sem a menor cerimônia, como se tivesse sido contaminado por algo repulsivo, e seguiu tapando o nariz.
Li Xiang vestia trapos de cor indefinida, e sem comer havia dias, sua voz rouca mal era compreendida pelos transeuntes.
No chão, ela continuou a rastejar em direção ao movimento, deixando atrás de si um rastro longo de sangue. Não avançou muito antes de perder as forças e ficar imóvel.
Logo sentiu, acima de si, a presença de alguém, distinguindo o tecido escuro de um manto com discretos bordados. Instintivamente, agarrou a barra da vestimenta do estranho. Os lábios s