O destino amoroso na internet une duas pessoas por um fio: de um lado, uma trabalhadora migrante em Pequim, uma garota de cidade pequena cuja maior característica talvez seja ser um pouquinho bonita e muito fofa; do outro, um galã rico e bonito, formado em Stanford, com inteligência emocional e intelectual altíssimas, mas que, diante da protagonista, fica meio bobo e reage com meio tempo de atraso. O protagonista diz: “Antes mesmo de te ver, eu já te via nos meus sonhos”; diz também: “Na verdade, eu sempre estive procurando o sentido da vida. Pensar em você ao meu lado sempre me ajuda a resistir a um pouco do vazio da realidade e me faz sentir que a vida é plena”; e ainda: “Se a gente se encontrasse, com certeza teria que oficializar o relacionamento”... Conhecer-se e já oficializar, oficializar e depois morar juntos: depois de conhecer Xu Zilong, Lin Xi compreendeu pela primeira vez tanta coisa, e sua vida passou por grandes mudanças... Eles são, um para o outro, o sentido da existência; são o sol, a lua e as estrelas um do outro. “Lin Xi, você sabe? Antes eu tinha muita dificuldade para sentir alegria. Eu achava que era racional demais. Qual é o sentido de viver? No fim das contas, as pessoas são todas assim: acabam parando diante do que conseguem à sua frente. Nunca imaginei que, na realidade, eu encontraria online alguém que não consegui encontrar fora dela. Não consigo explicar o que em você me tocou; para ser exato, foi você inteira que me tocou. Eu realmente queria muito te abraçar.” Em uma conversa de madrugada, Xu Zilong, cuja interior sempre foi um gelo de mil anos, disse pela primeira vez algo tão emotivo.
Na madrugada de 10 de fevereiro de 2021, por volta das duas horas, em Pequim, Linxi ainda não dormia, revirando-se na cama do apartamento alugado fora do Quinto Anel. Talvez fosse a excitação pelo Ano Novo que chegaria no dia seguinte, ou talvez o fato de já ser muito tarde e ter perdido o relógio biológico do sono profundo; de qualquer modo, ela se encontrava em estado de insônia havia mais de uma hora e provavelmente só conseguiria adormecer contando ovelhas para forçar o repouso. A perspectiva de não poder regressar a casa por causa da pandemia despertava nela uma inquietação sem nome. Linxi havia concluído o mestrado havia menos de um ano na capital da província natal e, após a formatura, mudara-se para Pequim a fim de trabalhar; era a primeira vez que se afastava tanto de casa. Embora mantivesse pouco contato com a família, a impossibilidade de voltar no dia da Reunião Familiar deixava-a profundamente solitária. Pensar em si mesma encolhida sozinha no pequeno quarto alugado em comum só aumentava a melancolia. A existência de imigrante em Pequim revelava-se cheia de desafios e dificuldades, a maior lição que Linxi extraíra do menos de um ano de trabalho formal. A disputa por vagas entre recém-formados era acirrada; mesmo tendo concluído a graduação e o mestrado em instituição de destaque na província, o diploma perdia brilho diante da concorrência da metrópole. Os colegas sem intenção de prosseguir os estudos já haviam saído para estagiar um ano antes, acumulando experiência para fortalecer o currículo. Linxi fora uma deles. Somando o período de estágio, ela já vivia