Os cultivadores devem vagar livres entre o céu e a terra, em plena liberdade nos nove firmamentos. Que o mundo não possa aprisionar meus passos, e que o ciclo da reencarnação não possa limitar minha alma. Com um simples gesto, faço o trovão descer sobre o mundo; com um só golpe de pé, faço a terra rachar e as montanhas desabarem. Um jovem dotado de uma alma imortal percorre um caminho de cultivo cheio de obstáculos e, ao fim, torna-se um grande demônio de sua época!
A brisa matinal soprava suavemente, agitando os ramos ainda verdes das árvores, tímidos como donzelas antes de deixar o lar paterno. Ao norte da movimentada Vila das Pêras Floridas erguia-se uma vasta cordilheira conhecida como Vento Claro. As montanhas não eram íngremes, mas estendiam-se sem fim; embora carecessem da imponência dos grandes picos, as florestas densas conferiam-lhes uma graça delicada e refinada.
Nesse dia, dois jovens subiam pela crista. Um deles era ligeiramente rechonchudo, de rosto redondo, olhos em forma de lua crescente e ventre discretamente proeminente, o que lhe dava um ar bastante jovial.
O outro vestia roupas de pano grosseiro, era magro, de tez um tanto amarelada, porém possuía olhos brilhantes, lábios finos e uma fisionomia bastante elegante. Segurava um mapa amarelado feito de pele de cordeiro e olhava em todas as direções, como se procurasse algo.
— Wen Yuan! Já encontrou? — perguntou o jovem rechonchudo, ofegante.
— Falta pouco. Se avançarmos mais um pouco, chegaremos — respondeu o jovem elegante, apontando para outra parte da cordilheira.
— Quanto falta ainda? Cada vez mais acho que o mapa que meu pai me deu não presta. Já procuramos há dois anos e nada. Melhor seria ficar em casa lavrando a terra, pelo menos não precisaríamos enfrentar ventos e chuvas, dormindo ao relento… — O jovem rechonchudo franziu a testa e hesitou. — Como é mesmo a expressão?
— É “ventos e chuvas, dormindo ao relento”! — corrigiu o jovem elegante, massageando a testa com ar resignado.
O jovem rechonchudo excla