A assassina moderna Leng Bing morreu em uma explosão ao vingar os pais. Ao despertar novamente, descobriu que estava em um mundo que nunca havia existido na história. Ela também não conseguiu escapar do destino de entrar no palácio como dama de companhia.
— Fria como gelo, agora é decisão da organização: você será apagada do mundo dos agentes secretos. A partir deste momento, é uma pessoa comum, não faz mais parte da equipe. Arrume suas coisas e vá-se embora daqui — disse seu chefe.
A mulher que chamavam de Fria mantinha o semblante impassível, sem demonstrar qualquer tristeza. Era natural; órfã desde a infância, aprendera a sobreviver sem coração, vivendo sempre à margem, sem laços ou amarras. Partir não lhe era novidade, tampouco o abandono; já se habituara a ser deixada para trás.
— Sim — respondeu, como se acatasse uma ordem qualquer.
Naquele momento, Fria usava roupas pretas. Com um metro e oitenta e cinco, era a mais alta e bela do meio, a quem confiavam as missões mais difíceis. Era também a que melhor se disfarçava de homem.
Sua taxa de sucesso era absoluta, cem por cento, recorde jamais superado, e por isso ninguém compreendia seu destino agora. Mas os fatos eram definitivos e não podiam ser alterados. Ela não questionou, tampouco pediu explicações. Seguiu para o quarto onde sempre vivera, contemplou a simplicidade do lugar e percebeu que, embora pensasse ali passar a vida, agora partia rumo ao desconhecido.
— Fria, você não pode ir! Vamos pedir ao chefe para que mude de ideia e deixe você ficar — disse Liu Xing, com o coração apertado. Ele a amava fazia tempo, mas nunca ousara confessar, temendo a rejeição. Ainda que o fizesse, sabia que ela não corresponderia; por isso, guardou o sentimento no peito, incapaz de suportar vê-la partir.
Ele sabia que o chefe não era um homem sem