Que heróis destemidos, que impérios de beleza incomparável—tudo não passa de uma era tumultuosa e sangrenta, onde milhões tombaram sem que se colhesse um desfecho digno. Liu Bei deseja apenas unificar, o quanto antes, toda a vastidão do reino.
Ano primeiro do período Chuping, na Dinastia Han Oriental, sétimo mês.
Qingzhou, condado de Pingyuan.
Era tempo de colheita outonal, a lida no campo fervilhava. Um jovem de postura distinta, cabelos atados sob um lenço escuro, trajando uma túnica negra ornada de motivos de caça, corpo esguio e elegante, havia terminado de inspecionar os campos e, reunindo os registros, preparava-se para regressar.
Um velho lavrador, apressando-se, largou os instrumentos agrícolas e bradou:
— Senhor Liu, aguarde, por favor!
Recolhendo alguns grãos, correu até ele e disse:
— Nós, humildes súditos, nada possuímos além do pouco arroz e painço que sobrou após o pagamento dos impostos. Peço-lhe, senhor Liu, aceite este presente.
O jovem amparou o ancião e replicou:
— Não é necessário, venerando senhor. Incentivar o cultivo e proteger o povo é meu dever. Tendo recolhido já o tributo, não há razão para que me ofereças mais grãos.
Mas o velho, relutante, insistiu:
— Desde que chegaste a Pingyuan, eliminaste bandidos, restauraste represas e açudes, emprestaste bois e ferramentas, ensinando-nos a lavrar e semear o trigo outonal, sem jamais exigir nada além do justo.
Tal benevolência não pode ficar sem retribuição. Se não aceitares, não terei mais ânimo sequer para empunhar meus instrumentos de lavoura.
Mal terminara de falar, já se ajoelhava, tomado de emoção.
Liu Bei imediatamente o sustentou, suspirando:
— Ora, a fome assola Qingzhou, e mesmo Pingyuan, com suas colheitas parcas, mal provê o sustento. Por que, então, me