À beira da estrada, a casa de chá exibia sombras dispersas de figuras humanas; da rua, chegavam dois ou três brados, enquanto alguém agitava um leque diante dos demais. Entre palmas e pancadas compassadas na mesa, os ouvintes eram convidados: Senhores, prestem atenção e escutem com afinco as múltiplas vicissitudes deste mundo, a efemeridade dos dias, as montanhas, os rios, o vendaval das paixões e das melancolias, os sonhos extravagantes das dinastias, tão insanos quanto um devaneio fantástico. As lendas de deuses e demônios não pertencem apenas aos altivos seres celestiais, pois fantasmas, espíritos e espectros povoam igualmente a existência. O tempo escoa, mas a justiça do destino jamais falha; nem tu, nem eu somos perfeitos ou sábios—todos conhecemos o desconcerto, pois a vida é breve, não se compara ao eterno retorno do sol e da lua. Ao abrir o leque, todos os sentimentos do mundo se misturam; as forças celestiais e os infortúnios terrenos revelam seus mistérios e transformações. Uma batida do bastão ecoa, as ondas se agitam em mil camadas, e todos nós, seres passionais, apenas rolamos e nos perdemos nesta poeira rubra do mundo.
Sobre as águas do rio Du, no território do condado de Zhushan, uma pequena canoa de madeira deslizava lentamente por um estreito afluente do curso principal. Ao redor, montanhas e rios compunham uma paisagem de rara formosura e encanto; mesmo no auge do verão, quando temperaturas extremas assolavam o país, aqui reinava um clima ameno, pouco acima dos vinte graus. Postado à proa, Yi Shuyuan não pôde deixar de suspirar, maravilhado, pensando que não era de se estranhar que o “Relato da Fonte dos Pessegueiros em Flor” tivesse seu início justamente neste lugar, onde teria sido descoberta a mítica terra paradisíaca.
Muitos creem que Changde seja equivalente à antiga Wuling; contudo, durante o reinado de Taiyuan na dinastia Jin, o único local denominado Wuling nos mapas da China era o atual condado de Zhushan, então chamado de Wulingxian, pertencente à jurisdição de Shangyong. O rio sob a pequena embarcação, hoje conhecido como Du, era o antigo rio Wuling — destino que Yi Shuyuan almejava visitar há muitos anos.
Envolto por tais montanhas e águas, a sensação de pertencimento à cena despertava em Yi Shuyuan sua paixão pelos livros. Imaginava, em seu íntimo, quadros vívidos, modulando o timbre de sua voz para refletir as emoções que lhe preenchiam o espírito, e assim começou a declamar:
— Era durante o reinado de Taiyuan, da dinastia Jin. Um homem de Wuling vivia da pesca. Seguindo o curso do riacho, caminhava, esquecido das distâncias. Inesperadamente, deparou-se com um bosque de pessegueiros, estendendo-se por centenas de passos ao longo das margens, sem outr