“Eu enfrentei mil dificuldades, suportei cem tipos de tormentos, e somente assim, com extremo esforço, consegui finalmente sentar-me nesta sala iluminada de Hogwarts.” Os olhos de Anton tornaram-se turvos, como se evocassem lembranças dolorosas. “Por isso, Diretor Snape, como eu poderia, em plena madrugada, ir à Floresta Proibida matar aranhas? Isto é uma acusação sem fundamento!” Anton apertou com força a gola de seu manto mágico, procurando ocultar a camisa manchada de sangue por baixo, e declarou com firmeza: “Sou inocente!”
O porão era sombrio e úmido, com musgo a devorar as paredes de pedra.
Duas correntes estendiam-se pelas fendas entre as pedras, sustentando o corpo franzino de Anton suspenso no ar.
Ele arfava como um fole quebrado, os olhos sem brilho fixos naquela pequena janela gradeada no canto; dali, a luz do sol se derramava, e diminutas fadas dançavam nos feixes dourados.
— Cruciatus!
A luz da maldição cintilou no ambiente tenebroso do porão.
— Ugh! — Anton cerrou os dentes, recusando-se a gritar, enquanto sua visão se tornava cada vez mais turva e indistinta.
Quantas vezes já suportara o Cruciatus?
Não recordava, mas sabia que, desta vez, talvez estivesse realmente à beira da morte.
"Não sei se este é de fato o mundo de Harry Potter, mas talvez eu nem viva o suficiente para receber a carta de Hogwarts trazida pela coruja..."
A figura envolta em capa e capuz negros sumia gradualmente nas trevas.
Anton soltou um suspiro, as pálpebras pesadas fecharam-se com força, e sua cabeça tombou.
...
Quando recobrou os sentidos, não poderia saber quanto tempo se passara. Apenas sentia uma dor lancinante nos pulsos, onde as correntes o prendiam, como se fossem se romper.
— Ha ha... — Anton soltou uma risada rouca. — Ainda não morri!
Mais uma vez sobrevivia às torturas e maldições do velho bruxo.
Dois meses antes, ele atravessara para aquela Inglaterra anômala, tornando-se aprendiz de um bruxo das trevas. Aprendiz apenas no nome, pois, na realidade, servia de cobaia, isca para lo