No início, alguém era apenas um volante defensivo ordinário, sem brilho nem destaque. Com o tempo, por acaso, aprendeu um pouco sobre organização do jogo, depois assimilou técnicas de condução de bola, e mais tarde dominou a arte das cobranças de falta. E assim, o futebol tornou-se uma festa ao redor dele. Kaká e Cristiano Ronaldo apreciavam sua companhia, não só por sua beleza e eloquência, mas principalmente porque ele sabia como cobrir suas costas, permitindo que ambos atacassem com tranquilidade na linha de frente. Messi, por sua vez, nutria sentimentos ambíguos: amor e ódio. Sempre que enfrentava o Barcelona, ele se tornava ainda mais motivado, mas era constante a maneira como seduzia Messi para jogar o futebol de irmãos, atraindo-o para o seu universo. Todos os jogadores da posição oito ansiavam por trabalhar ao seu lado; sua proteção era onipresente, sua capacidade de suportar pressão, incomparável, a maior de todo o cenário futebolístico. Ele era o super escudo à frente dos zagueiros, o melhor parceiro dos meio-campistas, o sólido guardião por trás dos atacantes. Xabi Alonso foi seu mentor, Mourinho seu comandante, e Pogba, com um valor de cem milhões, era apenas um subalterno diante dele. Sempre que um jornalista lhe perguntava sobre sua trajetória, ele respondia com convicção: “No treino, é preciso se esforçar ao máximo!” Não era ostentação; era pura verdade. Passo a passo, ele alcançou, com o próprio suor, o grande final do futebol. Mas toda essa história começa com uma narrativa de um homem destinado, desde o nascimento, ao infortúnio…
30 de julho de 2010.
Mais um dia de treinos de pré-temporada chegava ao fim, e Mourinho, sentado em seu escritório no centro de treinamentos de Valdebebas, examinava, hesitante, uma ficha de informações sobre um jogador.
“...Posicionamento excepcional, possui um dom natural para a escolha defensiva, notável consciência de cobertura, embora sua saída ao combate não seja precipitada; prefere comprimir o espaço de condução do adversário, mostrando grande capacidade de enfrentamento...”
“Estabilidade na proteção e distribuição da bola, ainda que com criatividade limitada, pouca inclinação para se lançar ao ataque, insuficiente habilidade no drible...”
“Um volante defensivo digno de ser lapidado: posicionamento notável, disposição defensiva, vigor físico acima da média, mas deficiências na organização e limitada vocação ofensiva; técnica sólida, e digno de menção, notável jogo aéreo — talvez venha a ser uma peça valiosa nas bolas paradas...”
Ao reler o relatório sumário entregue pelo assistente, a expressão carregada de Mourinho suavizou-se pouco a pouco. Massageando as têmporas, parecia ter enfim chegado a uma decisão, e pousou, com certo pesar, a ficha do jogador sobre a mesa.
Meia hora depois, um jovem de feições típicas do Leste Asiático bateu à porta e, após obter permissão, adentrou o escritório de Mourinho.
“Soube pelo senhor Pérez que o senhor me chamara. Estava ainda suado, então fui tomar um banho rápido antes de vir. Peço desculpas por tê-lo feito esperar”, explicou o rapaz, com um leve ar de desculpa.
Seu cabelo, cor