Durante a noite, em sonhos silenciosos, retorno subitamente à terra natal; mais uma vez sopra o vento outonal, e lá está o jovem rapaz. Esta é uma história sobre resgatar a juventude perdida.
— Ouvi dizer que você é escritor?
— Sou.
— Ouvi dizer que, na época da escola, você era um encrenqueiro?
— Sim.
— Então, como você passou de encrenqueiro a escritor?
Num restaurante francês, o jazz romântico e suave pairava no ar, enquanto, pela janela, podia-se ver as folhas dançando dos plátanos e os transeuntes apressados sob as luzes de néon da noite.
Desde que Cheng Xing se sentara, aquela já era a sétima pergunta da mulher à sua frente.
Se não fosse pelo rosto ainda agradável da moça, Cheng Xing já teria se levantado e ido embora.
— Pode perguntar outra coisa? — indagou Cheng Xing.
A mulher balançou a cabeça: — É que tenho curiosidade sobre isso.
— Desculpe, não posso responder a essa pergunta — respondeu Cheng Xing.
Ao ouvir isso, a mulher recolheu o sorriso, afastou uma mecha de cabelo da orelha e disse num tom neutro:
— Ter filhos é doloroso. Não quero ter filhos.
— Por isso também não quero casar. Só vim ao encontro porque meus pais insistiram — continuou ela.
Cheng Xing sorriu: — Eu também não quero casar, só vim porque meus pais insistiram.
— Que bom — ela suspirou aliviada.
Os dois ficaram em silêncio, o clima ficou um tanto constrangedor.
Subitamente, simultaneamente, ambos olharam para o relógio no pulso e quase em uníssono disseram:
— Já está tarde, tenho coisas a fazer. Vou indo.
Surpreendidos, sorriram um para o outro.
— Deixa que eu pago esta refeição — disse a mulher.
— Ora, em um encontro arranjado, não faz sentido deixar a mulher pagar —