Sob a chuva, frutos silvestres caem da montanha enquanto, em silêncio, interrogo meu próprio coração sobre o caminho a seguir; ao brilho do lampião, ouvem-se os insetos do campo, e uma única espada revela a chegada do outono. Uma pessoa comum é forçada a avançar, entre reviravoltas, pelas montanhas estranhas e rios magníficos.
No final do outono, a chuva fria caía incessante.
Ao entardecer, um antigo templo mergulhava em sombras. Uma trilha sinuosa serpenteava entre as rochas, acompanhando o vale até chegar a um recanto escuro e profundo da montanha.
Um corvo encolhido nos galhos ressequidos diante do templo levantava a cabeça, olhando para o céu com apatia; de vez em quando, abaixava o olhar para espiar o interior do templo.
— Que criatura me observa? Não vai descer logo?! — A voz abafada e opressora, carregada de uma força inominável, ecoou como o rugido de um tigre na escuridão, aterrorizando as bestas e explodindo diante do pequeno pavilhão.
O corvo, assustado, bateu asas e voou alto, mas, incapaz de encontrar refúgio, retornou hesitante ao galho. O perseguidor, um monge distante a trinta léguas, não lhe dava trégua.
Desde o Pico de Jingyang até ali, fugira por três mil léguas sem pausa, sem tempo sequer para absorver a essência da pílula no estômago; começava a sentir-se exausto.
Com um chute, o homem de cabelos desgrenhados e barba espessa arrombou a porta do pátio do templo e lançou um olhar ao topo do pavilhão sobre o velho poço. Seus olhos castanhos giraram, e ele fez pouco caso, franzindo os lábios.
— Um simples mortal ousa espiar-me?
O rugido se espalhou, fazendo tremer o pavilhão e seu teto, desprendendo palha cinzenta; a sombra negra agachada no topo apenas estremecia, sem reagir.
Naquele instante, algo pareceu despertar com o rugido: o salão principal do templo, em ruínas e distante, estremeceu de repente.
Uma luz dourad